Atualmente não tenho por hábito estar sempre no meu atelier. O meu trabalho é desenvolvido através do computador, é maioritariamente um processo digital, mas não foi sempre assim, passava horas no laboratório a revelar e ampliar a preto e branco, depois a cores – que ainda era mais demorado –, mas esta hipótese de poder ter as impressões em novos suportes e materiais, interessa-me bastante.
No livro das ‘Janelas Indiscretas’ podemos encontrar várias composições, onde se juntam certos momentos e situações que por vezes são de outras ocasiões mas são fortes combinadas e contam-nos uma narrativa que nos prende.
Sim, neste livro, posicionei-me quase como se estivesse a desenvolver a minha tese: As cores do Norte Alentejano,
a sua variedade e a sua apropriação, pelas gentes que aqui vivem… é curiosa, essa pergunta, porque realmente, no desenrolar do livro, surgem situações em que há um diálogo visual, plástico, entre as pessoas, os animais, a
flora e a arquitetura popular – que sempre me interessou –, e sempre a cor, a cor presente na natureza. Os pigmentos naturais permitem colorir quase tudo, tornando a cal, na tela suprema, aliada à capacidade e ao gosto, que conseguimos ver, ainda hoje, no Alentejo. Essa capacidade que existe principalmente no Alto Alentejo, esta região que marca, com a Serra de São Mamede, o sul do Norte e norte do Sul de Portugal.
Tive a oportunidade de ter a colaboração de Carlos Garcia de Castro, um poeta portalegrense com quem trabalhei noutras edições.